Paragem total, lay‑off e saídas voluntárias marcam mês decisivo na fábrica, enquanto a empresa garante que não há redução estrutural da produção.
A Mitsubishi Fuso vai suspender toda a produção na fábrica do Tramagal durante o mês de julho de 2026, num ajustamento que a empresa justifica com mudanças profundas no modelo europeu de encomendas e distribuição. A confirmação foi dada à Lusa pela Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC), sediada no Japão, que sublinha que agosto manterá a habitual paragem anual de verão.
A empresa afirma que “não está prevista produção para julho de 2026” e que o planeamento operacional está a ser revisto “em consonância com a transição do modelo europeu de encomendas e distribuição”. Apesar da paragem prolongada, a MFTBC garante que esta fase de transição “não implica qualquer redução estrutural adicional da produção”.
O impacto laboral será significativo. Segundo Dário Lima, trabalhador e dirigente sindical, a fábrica terá “um lay‑off durante todo o mês de julho” e, até ao final desse período, deverão ser celebrados acordos para a saída de cerca de 40 trabalhadores, além dos trabalhadores temporários. A empresa confirma a existência de um programa de saídas voluntárias, mas não divulga números, referindo apenas que está a adaptar a estrutura de recursos humanos “em linha com o ajustamento dos planos de produção para os próximos trimestres”.
Durante a paragem, a fábrica deverá aproveitar para realizar obras e melhorias nos equipamentos, sobretudo em áreas relacionadas com saúde e segurança no trabalho, segundo o sindicato.
Apesar das garantias da empresa, o futuro da unidade do Tramagal suscita apreensão entre os trabalhadores. A integração da Mitsubishi Fuso e da Hino Motors na nova holding ARCHION, criada pela Daimler Truck e pela Toyota, alimenta dúvidas sobre o posicionamento estratégico da fábrica no novo grupo industrial. “Há alguma preocupação, é óbvio, porque não havendo informações e definições do que será o futuro, há sempre uma incógnita”, afirmou Dário Lima.
A MFTBC, porém, insiste que a unidade do Tramagal “continua a operar como parte da atual rede industrial internacional”, sem alterações ao seu papel neste momento, e que não prevê mudanças adicionais para além dos ajustamentos já anunciados.
A fábrica do Tramagal, uma das maiores empregadoras do Médio Tejo e responsável pela produção da eCanter para o mercado europeu, entra assim num período de incerteza controlada: uma paragem total, um programa de saídas voluntárias e um setor automóvel em transformação, enquanto a empresa garante que, estruturalmente, nada muda, pelo menos para já.
