Um gigante de pedra em risco

De joia da engenharia renascentista a monumento em risco iminente.

O Aqueduto dos Pegões, uma das obras hidráulicas mais impressionantes do património português e peça essencial no abastecimento histórico do Convento de Cristo, enfrenta hoje um momento crítico. A estrutura, que durante séculos resistiu ao tempo e às intempéries, apresenta agora sinais evidentes de desgaste: fissuras, blocos soltos, infiltrações e uma presença agressiva de vegetação que se entranha entre as pedras e acelera a degradação. Técnicos que recentemente avaliaram o monumento identificaram fragilidades suficientes para justificar medidas imediatas, mesmo antes de concluído o diagnóstico aprofundado que está em preparação.

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Reportagem da TTV em 2014, pela voz da jornalista Isabel Miliciano.

A decisão de vedar a entrada ao público, tomada nas últimas semanas, não resulta de excesso de prudência. É uma resposta direta ao risco real de colapso em determinados troços, sobretudo nos arcos mais altos, onde qualquer desprendimento pode ter consequências graves. A autarquia de Tomar, pressionada por alertas internos e por especialistas, assumiu que a segurança tem de prevalecer sobre a fruição turística, mesmo sabendo que o aqueduto é um dos símbolos mais fotografados e visitados da região.

Imagens recentes do Aqueduto dos Pegões, captadas pelo drone da TTV.

O encerramento expõe, no entanto, um problema mais profundo e antigo. Décadas de manutenção insuficiente deixaram marcas que agora se tornam impossíveis de ignorar. A vegetação invasiva, a erosão natural e a ausência de intervenções regulares criaram um cenário que exige mais do que reparações pontuais. Está em curso a preparação de um estudo técnico independente que deverá quantificar o risco e definir um plano de restauro, processo que se antevê demorado e financeiramente exigente.

Para os habitantes de Tomar, o aqueduto é mais do que um monumento. É parte da identidade local, um marco visível a quilómetros, um testemunho da engenharia renascentista portuguesa. O seu estado atual, porém, lembra que o património não se preserva por inércia. A vedação da entrada é um gesto simbólico e prático: simboliza o limite a que se chegou e protege quem, até agora, circulava livremente por uma estrutura que já não oferece garantias.

Resta saber se este alerta será suficiente para mobilizar os recursos e a vontade política necessários. O Aqueduto dos Pegões não precisa apenas de ser admirado. Precisa de ser salvo.

 
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