Assembleia Municipal aprova celebração oficial do legado do compositor tomarense.
A Assembleia Municipal de Tomar aprovou por unanimidade, na sessão de 30 de abril, uma moção da CDU que propõe à autarquia a celebração dos 120 anos do nascimento de Fernando Lopes‑Graça. A iniciativa pretende reforçar o reconhecimento público de uma das figuras maiores da cultura portuguesa do século XX, cuja obra e intervenção cívica continuam a marcar a identidade do país.
Nascido em Tomar em 1906, Lopes‑Graça afirmou‑se como compositor, pianista, musicólogo, pedagogo e ensaísta, construindo uma carreira profundamente ligada à renovação estética da música portuguesa. A sua produção, vasta e diversa, atravessa géneros, formações e linguagens, mas mantém um traço comum: a valorização da música de raiz popular e a defesa de uma cultura nacional crítica, exigente e comprometida.
A sua oposição ao Estado Novo marcou tanto a vida pessoal como o percurso artístico. Foi perseguido politicamente, impedido de lecionar e sujeito a vigilância constante, mas nunca abandonou a criação nem o trabalho de investigação. A recolha, harmonização e estudo do cancioneiro tradicional português tornou‑se uma das dimensões mais influentes da sua obra, inspirando gerações de músicos e investigadores.
Além da atividade criativa, Lopes‑Graça foi professor, dinamizador cultural e autor de ensaios fundamentais sobre estética, política e música. A sua colaboração com o Coro da Academia dos Amadores de Música, que dirigiu durante décadas, é hoje considerada um dos pilares da modernização coral em Portugal. Morreu em 1994, deixando um legado que permanece central na história musical contemporânea.
Em Tomar, a Casa‑Memória Fernando Lopes‑Graça preserva o espaço onde nasceu e reúne documentos, objetos e referências que testemunham a vida e o pensamento do compositor. A moção agora aprovada pretende que o município desenvolva um programa comemorativo que valorize este património e o aproxime da comunidade, reforçando o vínculo entre a cidade e uma das suas figuras mais universais.
Com a celebração dos 120 anos, Tomar tem a oportunidade de recolocar Lopes‑Graça no centro da agenda cultural, sublinhando a atualidade de uma obra que continua a interpelar o país sobre identidade, liberdade e criação artística.
