Mário Formiga e Francisco Madureira disputam a Mordomia de 2027 numa escolha rara, simbólica e entregue ao povo, que decidirá no Salão Nobre se inicia um novo ciclo da maior celebração tomarense.
A sucessão na Mordomia da Festa dos Tabuleiros entrou na fase decisiva e como tantas vezes acontece na história desta celebração, o processo volta a cruzar tradição, expectativa popular e a personalidade dos candidatos. Em julho de 2027, Tomar deverá voltar a vestir a cidade com flores de papel e tabuleiros erguidos acima da cabeça, mas antes disso há uma escolha que cabe ao povo: quem será o mordomo responsável por conduzir a festa.
A Câmara Municipal convocou a população para 18 de abril, às seis da tarde, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Primeiro, será perguntado aos presentes se querem Festa dos Tabuleiros em 2027, decisão que se antevê pacífica, já que a periodicidade quadrienal é entendida como parte da identidade da própria festa. Depois, virá o momento mais sensível: a eleição do mordomo. A tradição dita que a escolha se faz de braço no ar e por aplausos, num ritual simples, direto e carregado de simbolismo. E no final, se tudo correr como manda a memória coletiva, ouvir-se-ão foguetes a anunciar o arranque oficial do ciclo festivo.
Desta vez, há dois nomes em cima da mesa. Mário Formiga, mordomo em 2023, regressa ao debate público depois de ter afirmado que não repetiria o cargo. Francisco Madureira, ligado à festa desde meados dos anos 90, assume que está disponível e que foi incentivado a avançar quando se temeu que não houvesse candidatos. Ambos são tomarenses, ambos cresceram dentro da festa e ambos reivindicam, à sua maneira, a legitimidade de servir o povo.
Mário Formiga admite que a decisão de ponderar uma recandidatura não foi imediata. Recorda que, no final da última edição, sentiu que o ciclo estava completo e que a festa ganharia com renovação. Mas, nos últimos dias, diz ter sido surpreendido por manifestações de apoio que o fizeram reconsiderar. Reconhece que o cargo não é consensual, que há sempre quem discorde e quem espere outro rumo, mas sublinha que a ligação à Festa dos Tabuleiros permanece intacta. A eventual recandidatura, afirma, não nasce de insistência externa nem de necessidade pessoal, mas de um sentido de dever para com a festa e o que ela representa. Fala com serenidade, quase como quem regressa a um lugar conhecido, e deixa em aberto a possibilidade de avançar.
