Salários em atraso na Misericórdia de Abrantes geram protesto

Trabalhadores denunciam pagamento faseado desde janeiro e exigem regularização imediata.

Cerca de 20 trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes concentraram‑se esta quarta‑feira à porta do lar da instituição para denunciar o pagamento faseado dos salários, uma prática que afirmam manter‑se desde o início do ano. A ação, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, terminou com a aprovação unânime de uma moção que admite novas formas de luta, incluindo greve.

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Segundo a dirigente sindical Teresa Faria, os funcionários têm recebido apenas parte do ordenado no final de cada mês, com abril a registar o pagamento de cerca de 55% do salário, sendo o restante liquidado uma ou duas semanas depois. A sindicalista alertou para o impacto direto nas famílias, sobretudo entre quem aufere o salário mínimo e tem despesas fixas no início do mês. Criticou ainda a justificação da instituição, que aponta falta de verbas, defendendo que não é admissível “fazer obras e depois os trabalhadores ficarem sem o ordenado”.

A moção aprovada será enviada à União das Misericórdias, ao Ministério do Trabalho e à Segurança Social. O aviso ficou claro: se o salário não for pago por inteiro no final do mês, o sindicato avançará para greve.

Do lado da instituição, o provedor João Pombo reconheceu dificuldades financeiras, mas garantiu que a situação é temporária e está a ser resolvida. Apontou o aumento do salário mínimo, a atualização das tabelas remuneratórias e a subida dos custos operacionais — como a fatura do gás, que passou de cerca de 4.000 para mais de 5.300 euros mensais — como fatores que pressionaram a tesouraria. A massa salarial, que ascende a 2,7 milhões de euros anuais para 135 trabalhadores, continua a ser o maior encargo.

Para estabilizar a situação, a Misericórdia aguarda a atualização das comparticipações da Segurança Social, está a recorrer a um empréstimo bancário e prepara a venda de património. João Pombo admitiu ainda que a comunicação inicial com os trabalhadores “pode não ter sido a melhor”, garantindo que têm sido realizadas reuniões para esclarecer a situação.

A instituição, que integra valências como lar, centro de dia, apoio domiciliário e creche, enfrenta agora a pressão de regularizar os pagamentos e recuperar a confiança dos trabalhadores, num clima em que a hipótese de greve ganha força.

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