Patrícia Sampaio levou medalha, ambição e lições de vida à Escola José Relvas

Bronze Olímpico e Uma Mensagem de Superação para 150 Alunos em Alpiarça.

A judoca olímpica Patrícia Sampaio, medalha de bronze em Paris 2024, levou muito mais do que conquistas desportivas à Escola José Relvas, em Alpiarça. Perante cerca de 150 alunos, a atleta partilhou um testemunho raro sobre dor, disciplina, pressão e paixão — uma conversa que transformou o auditório da Associação de Estudantes num espaço de aprendizagem emocional e desportiva.

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A sessão integrou o Fórum + Desporto, iniciativa da escola que aproxima os estudantes de referências nacionais. A presença da judoca foi recebida com entusiasmo e gratidão, sobretudo porque a atleta abdicou de tempo de treino para estar com os jovens.

A tarde começou com a exibição de um vídeo sobre o seu percurso, seguindo-se uma conversa aberta. Patrícia recordou que entrou no judo por influência do pai e do irmão mais velho, hoje seu treinador, e que só aos nove anos começou a sentir verdadeira ligação à modalidade. “Não foi amor à primeira vista, mas fui gostando cada vez mais”, contou. As lesões foram um dos temas centrais. Entre Tóquio e Paris, deslocou o ombro, passou por cirurgias e enfrentou longos períodos de recuperação. Falou da dor física, mas sobretudo da exigência mental: a coragem de regressar ao que magoou. Para a atleta, voltar à alta competição é muitas vezes reconstruir tudo do zero.

A pressão foi outro ponto incontornável. Patrícia explicou que o trabalho mental é hoje tão importante como o físico e revelou que trabalha com uma psicóloga desportiva. Inspirada pela série Break Point, interiorizou uma ideia que leva para cada combate: “a pressão é um privilégio”. Antes de entrar no tatami, visualiza cenários, observa adversárias e usa “canções mentais” para entrar no estado certo. “Muitos dos combates que ganhava era porque tinha visualizado tudo. Chegava lá e acabava em segundos”, partilhou.

A judoca admitiu ainda que já pensou em desistir. Aos 18 anos afastou-se por alguns dias, mas regressou rapidamente e, um mês depois, sagrou-se campeã da Europa. “Sou muito apaixonada pelo judo e tenho objectivos muito grandes. É isso que não me permite desistir”, afirmou. A visita terminou no tatami da escola, onde ensinou técnicas básicas: cair em segurança, desequilibrar, derrubar. Para muitos alunos, foi o primeiro contacto real com o judo; para todos, ficou a lição de uma campeã que continua a olhar em frente. O próximo grande objectivo é o Campeonato do Mundo.

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