Foi ontem, no dia 20 de maio, que o icónico café tomarense localizado na Rua Serpa Pinto atingiu a marca dos 115 anos de idade. Com origem em 1876, enquanto espaço comercial, foi posteriormente, em 1911, reorganizado por cinco sócios. Mais tarde, um dos detentores da sociedade adquiriu as restantes quotas, passando a assumir a gestão exclusiva do estabelecimento. O café foi transmitido entre várias gerações, até chegar às mãos de Alexandra Vasconcelos, gerente há 33 anos.
O espaço pouco ou nada mudou na sua decoração, exceto no ano de 1946, ano que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial. Outrora um espaço de convívio das elites locais, agora a frequência é pluriclassista. Estes são alguns dos motivos que o levam a ser parte integrante da Associação dos Cafés com História de Portugal, rede com um itinerário de cafés históricos “enquanto representantes do património material e imaterial, da História, da identidade e da memória viva da nossa sociedade e das nossas cidades”.
Sem dúvida, um espaço único, cuja remodelação marcou uma nova identidade estética, assente em influências multiculturais. Vieram da Alemanha cadeiras de estilo Bauhaus, as antigas portas ogivais deram lugar a uma ampla montra para entrada de luz natural, e de Veneza chegaram espelhos que acrescentaram elegância ao espaço. As colunas em ferro foram trabalhadas por um artesão italiano para recriar o efeito de mármore, numa intervenção que definiu a imagem que o espaço ainda hoje preserva. Um ambiente singular que chegou até a receber a visita de Umberto Eco enquanto estava a trabalhar na obra o Pêndulo de Foucalt.
