O Canil‑Gatil de Tomar registou em 2025 o maior volume regional de recolhas, adoções, esterilizações e eutanásias, num ano que expõe a pressão crescente sobre os serviços de bem‑estar animal e os limites da resposta pública.
O Canil-Gatil Intermunicipal registou 588 animais recolhidos, 612 esterilizações, 282 adoções e 41 eutanásias.
A DGAV confirma que o concelho apresenta os valores mais elevados da região, num ano marcado por forte pressão sobre os serviços de bem‑estar animal.
O ano de 2025 voltou a colocar Tomar no topo das estatísticas regionais relacionadas com o bem‑estar animal. No Canil‑Gatil Intermunicipal, situado na zona industrial, foram abatidos 41 animais, esterilizados 612 e adotados 282. No mesmo período, deram entrada 588 cães e gatos, e 79 receberam vacinação antirrábica. Os números constam do relatório anual da Direção‑Geral de Alimentação e Veterinária, que compila os dados enviados pelos Centros de Recolha Oficial.
A legislação é clara quanto aos critérios de eutanásia: apenas em casos de doença incurável, com métodos que garantam ausência de dor e sofrimento e respeitem a dignidade do animal. Ainda assim, Tomar destaca‑se na região não só pelo número de eutanásias, mas também pelo volume de recolhas, adoções e esterilizações, revelando a dimensão do desafio que o concelho enfrenta.
A pressão sobre o canil é constante. A entrada de quase seis centenas de animais num único ano mostra a persistência de abandonos, ninhadas não controladas e situações de risco que obrigam à intervenção dos serviços municipais. Em contrapartida, o número de adoções (282) indica que a resposta da comunidade continua ativa, embora insuficiente para equilibrar o fluxo de entradas.
A esterilização, com mais de seis centenas de procedimentos, mantém‑se como a principal ferramenta de prevenção, alinhada com as políticas nacionais de controlo populacional. Mas os dados revelam também a complexidade do trabalho diário: gerir recolhas, garantir cuidados veterinários, promover adoções e, nos casos extremos, aplicar a eutanásia prevista na lei.
Num concelho que lidera todos os indicadores, dos mais positivos aos mais sensíveis, o relatório da DGAV deixa implícita uma realidade que se repete ano após ano. A gestão animal continua a ser um campo onde não se mede apenas a capacidade dos serviços, mas também o comportamento coletivo de uma comunidade.
