Independência, Aprendizagem e Comunidade.
Treze anos depois, a Tomar TV afirma-se como um projeto que nasceu sem meios, sem apoios e sem qualquer garantia de futuro, mas que cresceu com a convicção de que a informação livre tem valor público. A sua origem foi marcada pela vontade de um grupo de jovens que acreditava que a região merecia ser comunicada com rigor, criatividade e sentido de missão. Ao longo deste percurso, a TTV alternou sempre entre a comunidade que a rodeia e os jovens que a produzem, porque ambos são parte essencial da razão pela qual este projeto existe.
Desde o início, a TTV assumiu que o jornalismo regional podia ser rigoroso, útil e relevante. A proximidade nunca diminuiu a responsabilidade; pelo contrário, aumentou-a. A independência moldou a forma como o projeto cresceu. A notícia tornou-se serviço, a comunidade tornou-se prioridade e o público tornou-se o destino natural de tudo o que se produziu. A verdade foi sempre compromisso, e esse compromisso só existe porque existe quem o receba.
Ao longo destes 13 anos também houve erros. Houve momentos de sensacionalismo, fruto da juventude, da pressa e da falta de maturidade sobre o papel da comunicação social. Impacto confundiu-se com exagero, urgência com dramatização, alcance com relevância. Reconhecer isso faz parte da evolução do projeto. Estes 13 anos foram, acima de tudo, um caminho de aprendizagem, de perceber que informar exige responsabilidade, contenção, rigor e consciência do efeito que cada palavra tem na comunidade e no público que confia no trabalho desenvolvido.
Centenas de jovens passaram pela TTV. Aqui descobriram a profissão, a disciplina, a ética, o ritmo e a exigência do jornalismo. Muitos seguiram carreira e hoje ocupam redações por todo o país, do interior ao litoral, de televisões nacionais a rádios locais, de jornais digitais a produtoras independentes. A TTV foi escola, laboratório e ponto de partida. A comunidade ganhou novos narradores e o público ganhou novas vozes.
Muito antes de o digital dominar o setor, a TTV já produzia noticiários para o YouTube, já fazia streaming quando ainda não era prática comum, já experimentava formatos pensados para redes sociais. O direto de Facebook mais visto do país nasceu aqui. A cobertura de Pedrógão Grande marcou o compromisso com o serviço público. E um projeto regional conseguiu ter imagens emitidas nos 12 principais canais televisivos nacionais, além de integrar trabalhos internacionais como From Devil’s Breath, de Leonardo DiCaprio, e, este ano, um novo projeto com a National Geographic Internacional.
A independência teve custos. Desde cedo houve pressões, intimidações e tentativas de silenciamento. O episódio mais simbólico aconteceu logo no início, quando um diretor de uma radio local, registou o domínio tomartv.com e o redirecionou para a página da rádio, induzindo leitores em erro e tentando bloquear o crescimento de um projeto que, à época, era feito por jovens entre os 16 e os 18 anos. Era uma tentativa de travar um grupo de adolescentes que apenas queria comunicar a sua região com verdade. Foi apenas o primeiro obstáculo, e nenhum desviou o projeto da sua missão.
Treze anos de trabalho resultaram num arquivo audiovisual que documenta, em som e imagem, a vida de uma região. São mais de 1700 vídeos públicos, disponíveis nos quatro cantos do mundo, pensados e editados com o cuidado e o rigor visual assumidos desde o primeiro dia. Este arquivo é hoje património coletivo, história preservada e futuro garantido. É memória para a comunidade e referência para o público.
Há um ano tornou-se evidente que o ecossistema digital regional estava saturado de negatividade: notícias sem profundidade, conteúdos sem valor informativo e ruído que não acrescentava nada à comunidade nem ao público. A TTV reformulou a sua linha editorial e voltou a ser pioneira. Passou a privilegiar conteúdos positivos, úteis e construtivos, que reforçam a identidade e a autoestima da região. Os números confirmam o caminho: mais de 700 mil pessoas acompanham mensalmente o trabalho produzido nas várias plataformas.
Hoje, com Manuel Lino Dias ao leme da redação e Afonso Machado no controlo das operações, a TTV mantém a energia que a fundou: rigor, proximidade e coragem. Continua jovem, não por idade, mas por atitude. Porque a juventude é a única forma de resistir ao cansaço, às pressões e às narrativas que querem que o regional seja pequeno. A comunidade inspira o projeto e o espirito jovem guia-o.
E agora, no fim deste percurso de treze anos, a TTV afirma-se como ponto de partida para quem chega e não como ponto de chegada para quem começou. O futuro já não pertence a quem fundou o projeto, mas sim aos mais jovens que todos os dias garantem a redação mais jovem do país. São eles que carregam a chama, que reinventam a linguagem, que mantêm vivo o impulso de comunicar a região com verdade e coragem. E é por isso que o projeto segue. Porque enquanto houver jovens dispostos a contar o que veem, a TTV continuará a existir, a crescer e a resistir.
