A evolução de um jornal que nunca deixou de se reinventar.
O Templário é um dos títulos mais antigos e resilientes da imprensa regional portuguesa. A sua história cruza‑se com momentos de coragem, períodos de tensão política, fases de modernização e contributos de várias gerações de jornalistas. Entre essas figuras, Fernanda Leitão marcou o jornal com a força da sua escrita e com o preço que pagou pela liberdade; Isabel Miliciano assegura hoje a continuidade editorial; e mais tarde com o apoio de Tomás Duran que integrou uma fase de renovação e trouxe novos formatos, novos públicos e novas linguagens ao jornal.
A história d’O Templário não pode ser contada sem Fernanda Leitão. Diretora num período politicamente turbulento, tornou‑se símbolo de resistência ao denunciar abusos, arbitrariedades e riscos de retrocesso democrático. A apreensão de exemplares do jornal pela PSP, já depois do fim da censura, tornou‑a alvo de perseguição política. A pressão acumulada levou‑a ao exílio no Canadá, onde viveu até ao fim da vida.
A sua escrita reunida em obras como Bilhetes Saloios do Templário permanece como um dos registos mais incisivos e irónicos do pós‑Revolução. Leitão elevou o jornal a um patamar nacional, reforçou a tiragem e consolidou a identidade crítica que ainda hoje o caracteriza.
Na direção atual, Isabel Miliciano tem assumido o papel de preservar a identidade histórica do jornal, ao mesmo tempo que o adapta às exigências contemporâneas. Foi responsável por recuperar e documentar episódios marcantes, como a perseguição a Fernanda Leitão, reforçando a importância do jornal na defesa da liberdade de imprensa.
Sob a sua liderança, O Templário mantém uma linha editorial firme, próxima da comunidade e atenta ao território, preservando a sua relevância num ecossistema mediático cada vez mais fragmentado.
Durante a sua passagem como subdiretor de informação, Tomás Duran integrou uma fase de modernização editorial que procurou aproximar o jornal de novos públicos e novas plataformas. Esse período ficou marcado por três contributos estruturantes: A criação de um jornal digital em video, a produção di suplemento especial de verão e a modernização das redes sociais.
O Templário sobreviveu a censura, perseguições, crises económicas e mudanças tecnológicas. Sobreviveu porque sempre foi mais do que um jornal: foi um espaço de identidade, memória e liberdade.
A coragem de Fernanda Leitão, a continuidade assegurada por Isabel Miliciano e a modernização impulsionada por profissionais que mostram que a imprensa regional continua a ser um pilar essencial da democracia especialmente em territórios onde a proximidade entre jornal e comunidade é decisiva.
