A queda anunciada da central do Pego

Imagem: Francisco Conduto/TTV

A demolição da central do Pego avança após três décadas de operação, enquanto o PCP exige transparência sobre impactos ambientais, custos e o futuro de um complexo que se prepara para dar lugar a um dos maiores projetos renováveis do país.

A Tejo Energia iniciou a demolição da antiga central a carvão do Pego, operação que se prolongará por três anos. O PCP exige esclarecimentos sobre impactos ambientais, custos e o futuro dos terrenos, enquanto avançam projetos renováveis que transformarão o complexo industrial.

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A antiga central termoelétrica do Pego começou a desaparecer a 19 de fevereiro, quando a Tejo Energia anunciou o arranque formal da sua demolição. O processo, que deverá estender-se por cerca de três anos, marca o fim físico de uma infraestrutura que durante décadas alimentou o Sistema Elétrico Nacional e que encerrou definitivamente em novembro de 2021, tornando-se a última central a carvão a fechar em Portugal.

A empresa garante que o objetivo é devolver os terrenos às condições de base, com segurança e conformidade ambiental. As estruturas mais imponentes, como as duas torres de refrigeração de 116 metros e a chaminé de 225 metros, só cairão na fase final, através de explosivos controlados. Mas o anúncio não passou despercebido no plano político. O Grupo Parlamentar do PCP pediu explicações ao Governo, defendendo que a comunicação deveria ter partido de uma entidade pública, dada a relevância histórica e estratégica da central. Os comunistas alertam ainda para os riscos associados à demolição de grandes estruturas industriais e para os potenciais impactos ambientais.

A história do Pego acompanha a própria evolução do setor energético português. Construída entre 1989 e 1995 sob liderança técnica da EDP, a central entrou em funcionamento em 1993. Meses depois, foi alienada à Tejo Energia, consórcio que juntava a britânica International Power, a espanhola Endesa, e a própria EDP, num movimento que antecedeu a privatização da elétrica nacional. Em 2019, o Governo anunciou o encerramento definitivo, enquadrado na estratégia de descarbonização. A central cessou atividade a 30 de novembro de 2021.

Ao contrário do que aconteceu em Sines, os cerca de 300 hectares do complexo continuam na posse da Tejo Energia. A empresa comprou-os à REN em 2018 por 23 milhões de euros, apesar de avaliações superiores a 100 milhões. No mesmo espaço industrial permanece ativa a central de ciclo combinado a gás natural, considerada relevante para o sistema elétrico.

O futuro do Pego, porém, já começou a ser redesenhado. O ponto de ligação à rede elétrica foi atribuído à Endesa, que apresentou um projeto renovável de grande escala: cinco centrais fotovoltaicas, dois parques eólicos, armazenamento em baterias e produção de hidrogénio verde. O chamado “Cluster do Pego” estende-se pelos distritos de Santarém e Portalegre e inclui novas linhas de alta tensão e subestações. Parte dos projetos está em avaliação ambiental pela Agência Portuguesa do Ambiente.

É precisamente neste ponto que o PCP volta a intervir. O partido critica o facto de a avaliação estar a ser feita em processos separados, o que, na sua perspetiva, pode desvalorizar os impactos cumulativos no território. Questiona ainda a autorização para relocalizar o posto de corte do Pego, operação que poderá custar 14,5 milhões de euros, dos quais 11,5 milhões serão imputados à Rede Nacional de Transporte e, potencialmente, ao sistema elétrico. Os restantes três milhões caberão aos promotores.

Os deputados pedem também esclarecimentos sobre o plano de apoio à região anunciado pela Endesa após o encerramento da central e sobre as medidas concretas já implementadas no âmbito da chamada transição justa, destinada a trabalhadores e comunidades afetadas.

Enquanto as máquinas avançam e as estruturas começam a desaparecer, o Pego entra numa nova fase. Entre demolições, projetos renováveis e dúvidas por esclarecer, o futuro do maior complexo energético do Médio Tejo continua a ser desenhado peça a peça.

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