O cineasta que guardou a memória de uma cidade

O olhar que filmou o quotidiano.

Um cineasta amador tomarense que, muito antes da era digital, decidiu registar a vida tal como ela acontecia: as ruas cheias, as festas populares, os gestos simples que definem uma comunidade. Sem formação académica em cinema, mas com uma intuição rara, construiu um arquivo visual que hoje vale como documento histórico e afetivo.

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A sua paixão começou cedo, movida pela curiosidade e pela vontade de experimentar. Comprou a primeira câmara com sacrifício, aprendeu sozinho a dominar luz, enquadramento e movimento. Filmava tudo o que lhe parecia importante, não por encomenda, mas por missão íntima. Era o guardião silencioso de um tempo que sabia que iria desaparecer.

Com o passar dos anos, acumulou horas de película que hoje mostram uma Tomar que já não existe: o comércio tradicional, as procissões antigas, os encontros de vizinhança, os rituais que marcavam o ritmo da cidade. O seu trabalho, feito sem ambição de fama, tornou-se um espelho precioso da identidade local.

Em 2022, Tomás Duran decidiu transformar a memória familiar em legado público ao criar o Festival Manuel Vicente na cidade que o viu nascer. A iniciativa surgiu como homenagem ao seu tio‑avô, reconhecendo nele não apenas uma figura discreta da comunidade, mas um guardião silencioso da identidade local. O festival tornou‑se rapidamente um espaço de celebração da cultura, da história e das pequenas grandes narrativas que definem Tomar, perpetuando o espírito de cuidado e pertença que Manuel Vicente sempre cultivou.

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