Verão de Alto Risco no Médio Tejo

Milhares de árvores caídas, combustível acumulado e equipas exaustas: a região enfrenta a época mais crítica da última década.

O Médio Tejo entra no verão com um território profundamente alterado e uma ameaça silenciosa a crescer no chão das florestas. Quatro meses depois da tempestade Kristin, milhares de árvores continuam tombadas, acumulando‑se como combustível pronto a arder. Os sapadores florestais, distribuídos por vários concelhos, descrevem um cenário inédito: “não há mãos a medir”.

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O segundo comandante sub‑regional de Proteção Civil, João Pitacas, sublinha que as tempestades não retiraram combustível da floresta, apenas o deslocaram. A copa das árvores está agora no chão, criando massas densas de combustíveis finos, médios e grossos que poderão dificultar operações de combate e rescaldo em cenários de incêndio prolongado. A rede viária florestal continua condicionada em vários municípios e o trabalho de desobstrução avança lentamente devido à dimensão dos danos.

No terreno, os sapadores florestais descrevem meses de esforço contínuo. Ricardo Lavrador, chefe de uma das equipas da Associação de Agricultores, afirma que não há mãos a medir e recorda que o cenário encontrado após a tempestade foi o mais difícil que já enfrentou, com árvores inteiras caídas sobre casas em concelhos como Ourém e Ferreira do Zêzere. João Lourenço, com quase uma década de experiência, admite que este será um ano mais complicado, já que o combustível ficou acumulado ao lado dos caminhos e obriga a definir prioridades de intervenção. Não é possível chegar a todo o lado e as equipas concentram‑se nas zonas de maior risco.

O Governo prolongou o prazo nacional para limpeza de terrenos até 30 de junho, reconhecendo as dificuldades na remoção de material lenhoso, a falta de mão‑de‑obra e o aumento dos custos dos trabalhos florestais. O primeiro‑ministro, Luís Montenegro, apelou à colaboração de proprietários, autarquias e cidadãos, alertando para a existência de muito material combustível acumulado antes do período de maior risco. O Comando Integrado de Prevenção e Operações, criado em abril, já desobstruiu mais de dezassete mil quilómetros de caminhos florestais nas regiões Centro e Lisboa e Vale do Tejo, mas o trabalho continua longe de estar concluído.

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