“A Eurovisão já não é sobre música. É Sobre Coerência.”

Quando a neutralidade se torna ficção e a arte é usada para legitimar o que não devia ser legitimado. Artigo de Opinião de Cató Calado para a TTV

…sinceridade sem misturar arte e política…” Bandidos do Cante

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Facto 1: A Rússia, depois da invasão da Ucrânia e até hoje, está excluída de participar no Festival Eurovisão da Canção, o que consiste numa posição política por parte da organização do Festival.

Facto 2: Muito embora provas concretas de Genocídio, crimes de guerra e um mandato de captura internacional para o primeiro-ministro de Israel, a organização, ao contrário do que fez com a Rússia e até hoje, deixa Israel participar no Festival. A leitura e a interpretação dos factos anteriores indicam claramente uma postura do Festival Eurovisão da Canção com dois pesos e duas medidas e vincadamente política.

Facto 3: Irlanda, Espanha, Eslovênia e Países Baixos, são os países que não participam este ano no Festival em protesto contra a participação de Israel. Isto também é política.

Facto 4: São 300 os músicos em Portugal, entre os mais de 1100 de vários países, que em carta aberta em abril de 2026, apelam ao boicote da Eurovisão, devido à participação de Israel.

Com estes factos tão reais, há muito que a Eurovisão deixou de ser acerca de música.


Os Bandidos do Cante, estão a ignorar propositadamente os apelos da sua classe e dos seus pares, adoptando assim uma postura de neutralidade fictícia e optando por ignorar o “elefante na sala”.

 Ficarão nessa posição para a história: sinceros a misturar arte e política. A posição oficial de Portugal também ficará para a história: é primado das instituições oficiais zelar pela carta dos direitos fundamentais da União Europeia nos seus artigos 1º, 2º, 4º, 6º,11º e 21º. 

Tomar a parte de Israel é ir contra todos eles e quando as instituições se comportam desta maneira, é natural que a sua existência e a sua relevância possam ser postas em causa: Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP, Alberto Arons de Carvalho: Presidente do Conselho Geral Independente (CGI) da RTP e os membros do CGI, onde se incluem Vítor Caldeira (ex-presidente do Tribunal de Contas), Isabel Pires de Lima (ex-ministra da Cultura), Isabel Medina (atriz) e Ana Margarida Carvalho (jornalista), são os principais rostos e nomes responsáveis.

Também eles, surdos aos apelos e cegos às evidências, porquanto sinceros a misturar arte e política.

Perante estas posições incompreensíveis, se é para estar do lado certo da história, por favor mudar de canal, durante a transmissão na RTP do Festival nos dias 12, 14 e 16 de Maio de 2026.

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