Petição expõe falhas no saneamento em Torres Novas

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Moradores exigem saneamento básico e soluções estruturais para três localidades do concelho.

A última reunião da Assembleia Municipal de Torres Novas, realizada a 23 de abril, ficou marcada pela entrega de uma petição subscrita por cerca de 300 habitantes das localidades de Vale Carvão, Bonflorido e zonas envolventes. O documento denuncia a ausência de saneamento básico e pede ao município que avance, finalmente, com uma solução para um problema que os moradores classificam como “elementar”.

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A intervenção foi feita por André Castro, representante dos peticionários, que recordou o processo iniciado meses antes e formalizou a entrega das assinaturas. Sublinhou que a falta de saneamento básico compromete o desenvolvimento da zona e torna-se ainda mais incompreensível pela proximidade de uma ETAR a menos de três quilómetros. Defendeu que a Assembleia Municipal recomende à Câmara uma avaliação técnica e financeira para a criação de uma rede pública de saneamento e que esta necessidade seja integrada nos instrumentos de planeamento e em candidaturas a financiamento nacional ou comunitário.

Enquanto a infraestrutura não avança, os moradores pedem medidas intermédias, nomeadamente um modelo organizado de apoio à limpeza de fossas séticas, articulado com as Águas do Ribatejo. André Castro chamou ainda a atenção para aquilo que considera uma desigualdade no atual sistema, argumentando que o princípio do “utilizador-pagador” não se aplica de forma equitativa entre quem tem saneamento e quem não tem. Apresentou números sobre o território, referindo 231 casas, cerca de 500 habitantes e 429 eleitores, e destacou o potencial de crescimento da zona, defendendo que a falta de saneamento é um entrave à fixação de população.

Na resposta, o presidente da Câmara Municipal, José Trincão Marques, reconheceu a gravidade da situação e admitiu que o problema não se limita a estas localidades. Referiu que existem carências semelhantes noutras zonas do concelho, incluindo na própria cidade, onde ainda há partilha de condutas de águas pluviais com esgotos. Garantiu estar “muito sensível” ao tema e revelou ter solicitado às Águas do Ribatejo um levantamento detalhado das áreas sem saneamento básico.

O autarca sublinhou, contudo, que a resolução terá de ser faseada, dada a necessidade de hierarquizar investimentos e conciliar prioridades como estradas, escolas e reabilitação urbana. Ainda assim, assumiu o compromisso de trabalhar para que grande parte destes problemas seja resolvida durante o atual mandato, deixando uma posição clara: não é admissível manter situações que comprometem o ambiente, os recursos freáticos e a qualidade de vida das populações.

A petição encerrou a sessão com uma mensagem de cooperação. Os moradores mostraram-se disponíveis para colaborar na definição de soluções e na priorização do projeto, enquanto o município reafirmou a intenção de avançar, mesmo que de forma gradual, para corrigir uma falha estrutural que se arrasta há décadas.

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