Três dias de debates, encontros e criação colocaram o tema “Entre o natural e o construído” no coração da reflexão cultural em Tomar.
Durante três dias, Tomar voltou a ser ponto de encontro para escritores, artistas, investigadores, estudantes e leitores. A 16.ª edição do Bibliotecando em Tomar, realizada entre 7 e 9 de Maio na Biblioteca Municipal, reuniu vozes diversas para pensar a relação entre o natural e o construído, num momento em que a tecnologia, o território e a cultura colocam novos dilemas à sociedade.
O festival prestou homenagem a Valter Hugo Mãe, cuja presença marcou o arranque da edição. O escritor encontrou‑se com alunos dos dois agrupamentos de escolas de Tomar, num diálogo que antecedeu a visita à exposição de trabalhos inspirados na sua obra. À noite, o público assistiu à ante‑estreia do documentário De Lugar Nenhum, de Miguel Gonçalves Mendes, apresentada com a presença de Pilar del Río, figura próxima do autor homenageado.
A sexta‑feira foi inteiramente dedicada ao universo literário de Valter Hugo Mãe. O professor Carlos Reis abriu o dia com uma conferência, seguindo‑se a entrega do Prémio Bibliotecando em Tomar 2026. Os “Diálogos em torno da vida de Valter Hugo Mãe” juntaram Maria do Rosário Pedreira, Fátima Vieira, Pilar del Río, Carlos Nogueira e Ricardo Duarte, num painel que percorreu a obra, a biografia e a influência do escritor. À noite, numa parceria com a Musicamera Produções, Nuno Garcia Lopes conversou com o guitarrista brasileiro Yuri Marchese, a partir do livro A máquina de fazer espanhóis.
O último dia abriu espaço para os grandes temas da edição. Os painéis dedicados às tecnologias digitais e à inteligência artificial reuniram Alexandre Castro Caldas, Arlindo Oliveira e José Borbinha, num debate sobre ética, limites e possibilidades. Seguiu‑se uma reflexão sobre as tensões no território, com José Alho e Luísa Schmidt, marcada pela urgência ambiental e pela gestão dos recursos. A tarde encerrou com um painel dedicado às artes, coordenado por Francisco Sobral do Rosário, com a participação dos artistas Rita Castro Neves, Daniel Moreira, Sandra Cardoso e do escritor José Gardeazabal.
A edição terminou com a revelação do tema para 2027: “Livros – um caminho para a Paz”, com data marcada para 7 e 8 de Maio de 2027. Uma escolha que reforça a ideia central deixada este ano: perante a aceleração tecnológica, as tensões ambientais e os desafios culturais, é a dimensão humana que continua a exigir o centro do debate.
